CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA DO TOCANTINS – MEMÓRIA

Em se tratando do reconhecido Conselho de Medicina, instituição eminentemente representativa, a arquitetura deve, como premissa básica, enaltecer suas dimensões simbólico-representativas: notável portando como sua própria sede deve ser.

Como disse L Costa, representativa por sua notoriedade e não pelos valores ostentatórios.

Quatro pontos fundamentais alicerçaram esta proposta:

1. as dimensões arquiteturais relativas à expressividade e funcionalidade da obra.

2. os fatores bioclimaticos tão importantes nesta região.

3. o sistema construtivo racional que resulte boa solução construtiva dentro de um custo bem otimizado.

4. o necessário potencial de expansão para a conclusão da futura sede definitiva.

Questões de expressividade:

Desta forma entendemos que suas dimensões de volume e especialidade arquitetural revelam um diálogo direto com a cidade, uma relação de cheios e vazios que caracterizam sua urbanidade; sua plena relação com o entorno, dimensões concretas de cidadania. O tratamento volumétrico que enriquece o território, permite um jogo de iluminação natural e artificial que passa a criar situações inusitadas de percepção durante o dia ou no período da noite.
A elegância e leveza do conjunto ganham maior força quando o bloco do Plenário, ponto alto do programa de atividades, flutua sobre sua base “aberta” para as vias circundantes e principalmente para a av. Teotonio Segurado.
Os tratamentos adequadamente trabalhados permitem dentro do possível, transparência e opacidade, fazendo com que em momentos distintos, o espectador possa ver o prédio se desmaterializar.

O fluxo de circulação assim como a apropriada setorização das atividades afins, como demonstramos graficamente a seguir, atendem de forma natural pela “via” interna com rampas e escada, colocando a circulação vertical no ponto central do conjunto que acessa de forma imediata todas as atividades interessadas. As salas de presidência e diretoria estão em áreas menos expostas ao grande público com situações de conforto bem interessantes.

Conforto ambiental:

O projeto desenvolvido no sentido longitudinal coloca o edifício em melhor orientação com relação à insolação permitindo soluções naturais para ventilação e iluminação. As grandes aberturas com controle adequado protege as empenas das fortes chuvas, sem comprometer a importante necessidade de ventilação.

O corte transversal demonstra o possível efeito chaminé alem da conhecida edificação “vazada” na orientação apropriada. As aberturas em “shad” propiciam adequada iluminação e ventilação além de enaltecer o grande vão interno; via de ligação entre os dois acessos.

As empenas voltadas à forte incidência do sol devem, portanto receber um tratamento adequado, sendo que além da laje de cobertura, propomos uma telha termoacustica sobre colchão de ar vazado. Demonstrado como fator gerador da proposta, seguimos a “Cartilha de Fatores Bioclimáticos da Região de Palmas” de autoria dos Professores Ribas e Almeida, onde sugerem além dos pequenos beirais, grandes áreas de sombreamento e ventilação: nossa praça interna.

Sistemas Construtivos:

A estrutura em concreto com laje nervurada atende o bloco do auditório com solução metálica para a estrutura do plenário e biblioteca.

A modulação estrutural racionalizada sobre malha de 50cmx50cm, obedece a eixos que foram pensados no sentido de contemplar as futuras ampliações como demonstra o desenho ao lado. Numa seqüência de pórticos com vãos relativamente pequenos, próximos a cinco metros, a estrutura se desenvolve com laje nervurada com formas tipo “cabaças”, processo básico nas construções atuais. A malha só se altera no vão estrutural central quando seu ritmo é interrompido pela junta de dilatação.O posicionamento do auditório estrategicamente colocado foge à projeção do futuro edifício evitando, portanto grandes transições, o que comprometeria o custo final da edificação.

Edificação futura:

Conscientes das potencialidades do terreno assim como a inevitável intenção de ampliações futuras torna-se imperativo conceber este projeto já antevendo a construção futura como conjunto definitivo. Há que se pensar no todo que se possa edificar em etapas sem prejuízo ao momento mais aconselhável para tal. Existe ainda a possibilidade, e esta deve ser considerada na concepção, do futuro edifício ter destinação patrimonial, mesmo que durante um período, o que solicitaria usos independentes entre as duas edificações. Com todas estas variáveis em momento algum podemos transmitir uma solução com caráter transitório muito menos com características de edifício “reformado”. Tratado desta forma podemos demonstrar graficamente que interessa aumentar as possibilidades de expansão sem detrimento da realidade hora edificada.

Concluímos portanto com a intenção primeira de propor algo que não se apegue a estilos passageiros mas sim a valores mais essencialistas, comprometido com a atualidade assim como deve ser a boa arquitetura.