CONCURSO PARA SEDE DA PETROBRÁS – MEMÓRIA

…”é o chão que continua”…
Lúcio Costa

As respostas às questões de preservação e desenvolvimento aqui colocadas exigem uma ampla visão, onde a verdadeira contemporaneidade possa se manifestar.
A topografia artificial se harmoniza à topografia natural de tal forma que mais do que uma integração perfeita, pelas mãos do homem, o território criado aponta para um horizonte mais amplo; estamos propondo uma arquitetura da paisagem.
Só a expressividade mimética ou as relações de contraste não atenderiam à especulação deste luga maior, que tem em si mesmo a força da expressão e a interação total dos valores arquitetônicos propostos.
O projeto fala, portanto, da topografia do diálogo, onde a volumetria do construído é mais um dos elementos enriquecedores da paisagem.
“A beleza eficiente” é, então, neste caso, demonstração das virtudes deste diálogo; interfac complementar entre o terreno e as lâminas construtivas: revelação do grande terraço.
Num outro sentido, e em consonância às solicitações do edital, os eixos ordenadores convergem ao ponto de encontro, à praça central em diferentes níveis; “elementos facilitadores de integração”. Estes espaços de convivência se interligam num continum que, emoldurado por grandes portais, liga o edifício à generosa paisagem da “ilha verde inserida na área urbana.”
Se o forte da proposta vem pela linguagem, pela ambiência paisagística criada, sua legitimidade exige outros compromissos, tais como:

Adaptabilidade ao sítio: Buscamos uma tipologia que se adaptasse aos desníveis do terreno, quer seja para o sistema viário, para áreas de manobra e carga e descarga, assim como para acomodação dos diversos edifícios, evitando os onerosos cortes e aterros. Esta solução também atende de forma bastante confortável as áreas de estacionamento sob pilotis dos prédios, colocando o usuário estacionado próximo à sua área de trabalho.
Baixa demanda energética: esta tipologia em níveis escalonados intermediários, possibilita a circulação em rampas, evitando a necessidade de elevadores.
Conforto bioclimático: a solução pavilhonar com eixos de circulação nos dois sentidos e espaçamentos adequados permitiu a criação de jardins e vãos de luz e ventilação naturais, o que evita o uso de sistemas de refrigeração e iluminação artificiais.
Racionalidade construtiva: conforme orientado pelo edital, desenvolvemos todo o projeto pelo sistema de modulações, múltiplo de 62,5 cm, sendo a malha estrutural resolvida em vãos de 7,50m por 8,75m. O sistema construtivo adotado utiliza estrutura de lajes nervuradas tipo “cabacinha”, vigas e pilares em concreto armado, com vedações em alvenaria. Sua cobertura tem telhas metálicas pré-pintadas na cor branca, com tratamento termo-acústico instaladas sobre lajes. Quando conveniente, sobre plano inclinado, adotamos laje impermeabilizada com contra-capa em argamassa armada, revestida com pedras de mármore ou granito. Com a preocupação de criar soluções adequadas para as instalações técnicas, posicionamos as áreas molhadas e de circulação em eixos transversais, conforme esquema gráfico na prancha 3/7. Adotamos a opção de piso elevado para, se necessário for, o insuflamento de ar pelo piso.
Estratégias de Expansão: as estratégias adotadas para expansões futuras foram contempladas, desde o início, na definição da tipologia e plano de ocupação. Respeitamos duas questões básicas solicitadas: uso concomitante da obra a ser edificada com a edificação já construída e a perfeita adaptabilidade da ampliação ao sítio, procurando enriquecer ainda mais o partido arquitetônico colocado.
Considerando a lição dos grandes mestres tais como: Lúcio Costa, e sua paixão pela paisagem a ser preservada, apresentamos nossa proposta, que não se pretende monumental, mas rica e elegante na coerência de uma implantação que sintoniza o natural e o construído.